A vida não é só poesia, existe o outro lado da moeda, que muitos fazem questão de não enxergar.

Pouco animador, não é verdade? No entanto, quem se lembra ainda? Quem fala nisso?Fala-se muito nos últimos dias do "bloqueio" a Gaza. Mas não me parece ver nas reportagens imagens de crianças desnutridas, ou sub-nutridas, ou a morrer de fome. Os mercados aparecem cheios de coisas, vindas não se sabe como, pelos túneis subterrâneos que ligam Gaza ao Egipto. E pela passagem de Rafa.E África? Por que não se fala de África?Haverá, por acaso, já aí algum barco pronto a partir -carregado de bens de primeira necessidade- para os que morrem de fome todos os dias no Malawi? Que se dirijam já amanhã para o Sudão, ou para a Swazilândia?Ou há dois pesos e duas medidas nas "solidariedades" e nos "activismos" tão cheios de boas intenções?Não esqueçamos África. Não nos deixemos manipular pelas grandes forças mediáticas. Pelos grandes interesses.A África sofre os restos das colonizações de séculos, a África tem fome! A África somos nós todos! "13 milhões de refeições estragaram-se, porque a FEMA não tinha onde as armazenar..." (FEMA: Federal Emergency Management Agency)
"Ah! Sim, a África... A fome...É verdade..."
Sim, e esquecem logo a pobreza, a doença, as crianças abandonadas -sem remédios, em palhotas ou em tendas improvisadas, com panos rasgados, ao sol escaldante, cheias de moscas a zumbir à sua roda, seres fantasmas, impotentes perante as chuvadas ou e as enchentes.
As imagens de crianças desnutridas, sem leite, sem comida, pequenos esqueletos que se arrastam desaparecem dos écrans rapidamente...
Há outras imagens já a seguir nas TVs!
As mães com o peito magro que as não pode alimentar há muito, olhos no vazio, sem esperança, choram.
Ninguém fala delas já. Outras mães aparecem nas TVs.
Fora, os campos desérticos, a seca, a fome...
Mas... quem se lembra de África esquecida?
Alguns dados, para recordar:
" O continente africano parece estar mergulhado no abismo -devido às prolongadas secas e cheias, mas também por guerras civis (entre 30 e 40 no final do século XX), Terminados os conflitos o terror não termina nas zonas rurais, onde a presença de minas e de munições que não explodiram constituem uma ameaça permanente à reconstrução das comunidades rurais.
Assim, na Etiópia, Eritreia, Somália, Sudão, Quénia, Uganda e outros países, a fome mata nestes países milhões de africanos, e já deixou de ser notícia na imprensa internacional.
Assim, na Etiópia, Eritreia, Somália, Sudão, Quénia, Uganda e outros países, a fome mata nestes países milhões de africanos, e já deixou de ser notícia na imprensa internacional.
Entre as principais causas desta mortalidade está a seca, as guerras e a permanente instabilidade política e religiosa na região.
Na Zâmbia, cerca de quatro milhões de pessoas (numa população de dez milhões) foi afectada pela seca que destruiu, este ano, parte das suas colheitas. A situação está a tornar-se rapidamente catastrófica.
Na África austral, existem presentemente 10 milhões de mulheres, homens e crianças a conhecer formas extremas do flagelo da fome.
Na Zâmbia, cerca de quatro milhões de pessoas (numa população de dez milhões) foi afectada pela seca que destruiu, este ano, parte das suas colheitas. A situação está a tornar-se rapidamente catastrófica.
Na África austral, existem presentemente 10 milhões de mulheres, homens e crianças a conhecer formas extremas do flagelo da fome.
O Malawi, o Zimbabué, o Lesoto e a Suazilândia são alguns dos países mais afectados. O Malawi enfrenta a seca -e a pior fome- dos últimos 50 anos. Segundo o governo, 70 por cento da população de 11 milhões passa fome.
Em termos gerais, as perspectivas de desenvolvimento para este continente são pouco animadoras. Na África sub-Sahariana, o número de pobres pode aumentar de 315 milhões em 1999 para 404 milhões em 2015, afectando perto de metade da população da região. "
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| Entre nós é vergonhoso reconhecer a própria pobreza. |



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