Hora certa

Você é o visitante Nº

estatisticas gratis

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer

A vida não é só poesia, existe o outro lado da moeda, que muitos fazem questão de não enxergar.

Pouco animador, não é verdade? No entanto, quem se lembra ainda? Quem fala nisso?
Fala-se muito nos últimos dias do "bloqueio" a Gaza. Mas não me parece ver nas reportagens imagens de crianças desnutridas, ou sub-nutridas, ou a morrer de fome. Os mercados aparecem cheios de coisas, vindas não se sabe como, pelos túneis subterrâneos que ligam Gaza ao Egipto. E pela passagem de Rafa.
E África? Por que não se fala de África?
Haverá, por acaso, já aí algum barco pronto a partir -carregado de bens de primeira necessidade- para os que morrem de fome todos os dias no Malawi? Que se dirijam já amanhã para o Sudão, ou para a Swazilândia?
Ou há dois pesos e duas medidas nas "solidariedades" e nos "activismos" tão cheios de boas intenções?
Não esqueçamos África. Não nos deixemos manipular pelas grandes forças mediáticas. Pelos grandes interesses.
A África sofre os restos das colonizações de séculos, a África tem fome! A África somos nós todos!
    "13 milhões de refeições estragaram-se, porque a FEMA não tinha onde as armazenar..."
 (FEMA: Federal Emergency Management Agency)


"Ah! Sim, a África... A fome...É verdade..."


Sim, e esquecem logo a pobreza, a doença, as crianças abandonadas -sem remédios, em palhotas ou em tendas improvisadas, com panos rasgados, ao sol escaldante, cheias de moscas a zumbir à sua roda, seres fantasmas, impotentes perante as chuvadas ou e as enchentes.
As imagens de crianças desnutridas, sem leite, sem comida, pequenos esqueletos que se arrastam desaparecem dos écrans rapidamente...
Há outras imagens já a seguir nas TVs!

As mães com o peito magro que as não pode alimentar há muito, olhos no vazio, sem esperança, choram.
Ninguém fala delas já. Outras mães aparecem nas TVs.
Fora, os campos desérticos, a seca, a fome...

Mas... quem se lembra de África esquecida?
Alguns dados, para recordar:

" O continente africano parece estar mergulhado no abismo -devido às prolongadas secas e cheias, mas também por guerras civis (entre 30 e 40 no final do século XX), Terminados os conflitos o terror não termina nas zonas rurais, onde a presença de minas e de munições que não explodiram constituem uma ameaça permanente à reconstrução das comunidades rurais.
Assim, na Etiópia, Eritreia, Somália, Sudão, Quénia, Uganda e outros países, a fome mata nestes países milhões de africanos, e já deixou de ser notícia na imprensa internacional.

Entre as principais causas desta mortalidade está a seca, as guerras e a permanente instabilidade política e religiosa na região.
Na Zâmbia, cerca de quatro milhões de pessoas (numa população de dez milhões) foi afectada pela seca que destruiu, este ano, parte das suas colheitas. A situação está a tornar-se rapidamente catastrófica.
Na África austral, existem presentemente 10 milhões de mulheres, homens e crianças a conhecer formas extremas do flagelo da fome.
O Malawi, o Zimbabué, o Lesoto e a Suazilândia são alguns dos países mais afectados. O Malawi enfrenta a seca -e a pior fome- dos últimos 50 anos. Segundo o governo, 70 por cento da população de 11 milhões passa fome. 


 Em termos gerais, as perspectivas de desenvolvimento para este continente são pouco animadoras. Na África sub-Sahariana, o número de pobres pode aumentar de 315 milhões em 1999 para 404 milhões em 2015, afectando perto de metade da população da região. "

Entre nós é vergonhoso reconhecer a própria pobreza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário